Tenho o vício do sushi. Mesmo o do barato, dos chineses a imitar os japoneses. É certo que tem mais corantes, o peixe é congelado, ou conservado sob processos ainda piores, a variedade prima mais pela confecção do que pelo conteúdo... E o serviço é menos delicado. Mas a ideia de um buffet onde escolho apenas o que como, onde os vegetais são agradáveis e as proteínas são poucas... onde pago muito pouco, é-me sedutora.Dirão alguns que não apoio a restauração nacional e é verdade - mas pelo mesmo preço, comeria um prato de carne de porco frita em gordura de má qualidade, acompanhada de batatas fritas congeladas, e de uma insípida salada de alface e tomate criados em estufa... Ou algo semelhante, com a mesma quantidade excessiva, e o mesmo valor alimentar. Não consigo, desculpem!
No fim-de-semana passado, ao jantar num bufete chinês, recebi este calendário. Fiquei a pensar nele, ao ponto de ter de o mostrar, aqui. Pensei, se um restaurante português acharia boa publicidade colocar Nossa Senhora num calendário semelhante... E recordei alguns que tinha visto com um cobrador, a dizer que não se fia, com a história sexual do homem ou da mulher, com zés-povinhos. Haverá talvez alguns com alegorias à troika, com naturezas mortas, perdizes e faisões, ou com mães-natal semi-nuas.
O chinês, com a distância a que o obriga a ignorância da nossa cultura, adquire um poder de síntese curioso. Para ele, o mais apelativo ao público lusitano é a imagem da sua Padroeira. Faz sentido.
De uma forma curiosa, bizarra, é o chinês, muita vez mal amado, e tido como invasor, quem vem impor com a sua própria ganância, alguma moderação nos nossos hábitos alimentares - e quem vem recordar, com a sua ignorância, os nossos valores fundamentais.
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